Desemprego à vista no setor de serviços

No ato público realizado ontem, em São Paulo, empresários e sindicalistas alertaram para o problema

Indignados, empresários e trabalhadores de diversos setores contavam um para o outro, ontem, na manifestação da Frente Brasileira contra a MP 232, como serão atingidos pela alta de impostos e da burocracia. O impacto para cada um pode ser diferente, mas todos chegaram à mesma conclusão: a medida vai gerar desemprego.

A contabilista Alaíde Pereira Vitorino, proprietária da Organização Contábil Lawini, afirma que a MP 232 vai gerar impacto de 35% sobre o seu faturamento. “Não há como escapar da MP. Não podemos optar pelo Simples e a tributação pelo lucro real sairia muito mais cara”, afirmou.

O aumento da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 32% para 40% atingiu o bolso dos prestadores de serviço tributados pelo lucro presumido.

A contabilista lembra ainda que muitos dos seus clientes serão prejudicados pela medida. “Se um cliente fecha as portas, é uma receita a menos para minha empresa e, consequentemente, funcionários a menos também”, disse.

Rosa Carvalho dos Santos, dona da agência de Recursos Humanos Veja Empregos, reclama do aumento da retenção do Imposto de Renda na Fonte de 1% para 1,5%, outra maldade da MP. “Com isso, terei 50% a mais de imposto para antecipar ao governo. É um absurdo!”

A empresária contou que tinha feito a retenção, mas com a prorrogação do prazo de fevereiro para março teve que cancelar tudo. “Foi uma grande corrida e muita burocracia, mas esperamos que o governo volte atrás. Algumas empresas terão que cortar pessoal”, alertou.

Para a profissional de RH, não dá mais para ficar calada. “Já fizeram isso quando o PIS e a Cofins tornaram-se não-cumulativos e não fizemos nada. Vamos ver se dessa vez eles enxergam que não suportamos mais aumento de imposto.”

Os sindicalistas compartilham da mesma opinião sobre os impactos da MP. “Com o aumento de tributos, haverá mais pessoas desempregadas”, alertou o sindicalista do setor têxtil, Sérgio Marques. “A MP atinge diretamente o empresário. O segundo alvo é o trabalhador.”

No seu discurso na manifestação, Paulinho, presidente da Força Sindical, atentou para isso também. “Com a MP 232, a previsão é de que cerca de 300 mil pessoas percam o emprego”, disse. (LI)

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